Evolução

Evolução


postmortemfamecassarobelalugosisdead
2008
http://www.youtube.com/watch?v=3YYYofIlsLw


FRANKLIN CASSARO

Franklin Cassaro ist eine der wichtigsten Neuentdeckungen der brasilianischen Kunstszene der neunziger Jahre. Das Werk Lygia Clarks ist einer seiner ursprünglichen Bezugspunkte. Nicht der einzige, aber der wichtigste. Subtilität und Zurückhaltung verbrüdern sich. Cassaros Skulpturen verstecken sich nicht hinter der Form, sie sind die Form selbst, die sich beständig umstülpt, auflöst und neu erschafft. Seine reviramentos, infláveis und performances entwickeln einen Form-Prozeß, der sich nicht festhalten läßt, der nicht innehält, neue plastische Organismen hervorzubringen, die seltsam und zugleich sinnlich erscheinen.
Anders als Lygia Clark hat er kein therapeutisches Anliegen. Sein Antrieb liegt nicht in einer Spannung angesichts der Verdrängungsmechanismen des Ausdrucks-Körpers, sondern in dem Drang, eine existentielle Informalität weiterzugeben, die aus der experimentellen Praxis erwächst. Das Innere der „casa-corpo” Lygia Clarks bietet keinen Unterschlupf, sondern Widerstand, die „infláveis” Cassaros hingegen nehmen den Betrachter in ihr unbewohntes und leeres Inneres auf.
Bei seinen aktuellen Zeichnungen gibt die Atmung den Rhythmus der Bewegung vor, und Bisse hinterlassen ihre graphischen Spuren auf dem Papier. Die Farbe wird vor den Bissen aufgetragen, verteilt sich langsam und erschafft ihre biokonkreten Formen . Diese Zeichnungen muten nahezu wie archäologische Funde an, als ob es sich um fossile Schmetterlinge oder prähistorische Fische handele. Wie seine Skulpturen Dosen und Metall verarbeiten, entstehen die Zeichnungen aus einem Gestus, der Präzision und Spontaneität vereint.
Die infláveis erheben sich, bieten Unterschlupf für einen Moment. Ihre Struktur ist aus Wind, der Formen schafft, so veränderlich und vergänglich wie das Leben selbst. Die gleiche Leichtigkeit verkörpert sich in den cubos flutuantes, die zweifellos zu den lyrischsten Momenten seines bioconcretismo zählen. Die Einfachheit dient der Überraschung.

Luiz Camillo Osorio, März 2006.

Der Künstler hat die Bezeichnung “bioconcreto” und “formas bioconcretas” geschaffen, um seine Poetik gleichzeitig im brasilianischen Zusammenhang zu verorten und zu singularisieren.


Happenings são coisa do século passado,
a onda agora são os Saddenings:
http://www.youtube.com/watch?v=JVmGKidEVDc


Streaming Video by Ustream.TV

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http://guia.folha.com.br/exposicoes/ult10048u675508.shtml






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Itaipavabot Cassaro 2008





cassaro italy na página do google maps


A.I.A





flickr


aeromamulengo - jun 2007

aeromamulengo OVERMUNDO


Conheça também o bioconcretismo





fotografia: Wilton Montenegro





Cassaro - pedra de toque - 1989 - MAM Rio de Janeiro







Inclusão Robótica Social nas ruas de Copacabana











Santa Clara Nossa Senhora o alienígena as gaiolas e os animais - foto Paulo Paes






O calendário do interior do tempo
Fernando Gerheim

Para alguns, foi o acúmulo que o concebeu. De repente, do incansável trabalho diário, da soma de infindáveis jornadas, sem que se visse a dobra decisiva, estavam formados cabeça, tronco e membros. Enquanto a foice ceifava a terra, o serrote rilhava os dentes e o martelo afundava cabeças, a industriosa sinfonia impediu que se escutasse o seu vagido.
Range o serrote, ceifa a foice, morde o martelo.
Entre paredes e pavimentos, sonhando a imensidão dos espaços dentro de sua casca de noz, o indivíduo forjava vestígios arqueológicos de sua arcada dentária num plano branco e macio. De um fóssil o futuro lhe sorria.
A boca bate, o desenho morde, o marfim no papel.
Em meio à babélica deflagração de colméias, do acúmulo de tantos braços e próteses, foi sub-repticiamente gestado e finalmente veio ao chiaro troppo escuro do mundo o rebento dos séculos!
O dióxido de carbono dilatou seus pulmões e ele não verteu uma lágrima.
Contempla enigmas! Por trás do automatismo dessa decodificação ligeira, nesse instante fugaz e abissal, unifica o imensurável na máquina de linguagens! Funda mitos no dilúvio de cifras e letras!
Dos ósseos substantivos se articula outra unidade, formada por segmentos de séries sucessivas, numa dimensão diversa, talvez inversa.
O dente serra, a boca ceifa, a foice desenha, o papel martela, o serrote morde, o dente cerra, a boca marca, o papel morde, o serrote serra.
Úmeros martelos! Falanges foices! Metacarpos serrotes!
Da antropometria da engenhosa mão humana, em outra escala, num paradoxal caligrama de objetos e signos, do lado de fora do plano branco e macio, o existente, diante do esqueleto, propõe o enigma de seu futuro, e decifra a vertiginosa devolução das espécies - olho na lâmina! - a conjunção do objeto útil, num princípio construtivo - cabo na mão! - com a simetria bilateral ideal do singular espécime, num feixe de discursos trançados - a boca ceifa! - trazendo infiltradas em suas unidades, Cavalo de Tróia, ferramentas ambivalentes - range o serrote! - e o que subitamente adivinha é, a um tempo - morde o martelo! -, profecia e lenda.





Futurismo

Fragmento "Fundação e manifesto do futurismo", 1908, publicado em 1909.

"Então, com o vulto coberto pela boa lama das fábricas - empaste de escórias metálicas, de suores inúteis, de fuliges celestes -, contundidos e enfaixados os braços, mas impávidos, ditamos nossas primeiras vontades a todos os homens vivos da terra:
1. Queremos cantar o amor do perigo, o hábito da energia e da temeridade.
2. A coragem, a audácia e a rebelião serão elementos essenciais da nossa poesia.
3. Até hoje a literatura tem exaltado a imobilidade pensativa, o êxtase e o
sono. Queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, a velocidade, o salto mortal, a bofetada e o murro.
4. Afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um carro de corrida adornado de grossos tubos semelhantes a serpentes de hálito explosivo... um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais belo que a Vitória de Samotrácia.
5. Queremos celebrar o homem que segura o volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada a toda velocidade no circuito de sua própria órbita.
6. O poeta deve prodigalizar-se com ardor, fausto e munificência, a fim de aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais.
7. Já não há beleza senão na luta. Nenhuma obra que não tenha um caráter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças ignotas para obrigá-las a prostrar-se ante o homem.
8. Estamos no promontório extremo dos séculos!... Por que haveremos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o
Espaço morreram ontem. Vivemos já o absoluto, pois criamos a eterna velocidade onipresente.
9. Queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo -, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas idéias pelas quais se morre e o desprezo da mulher.
10. Queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de todo tipo, e combater o moralismo, o feminismo e toda vileza oportunista e utilitária.
11. Cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela sublevação; cantaremos a maré multicor e polifônica das revoluções nas capitais modernas; cantaremos o vibrante fervor noturno dos arsenais e dos estaleiros incendiados por violentas luas elétricas: as estações insaciáveis, devoradoras de serpentes fumegantes: as fábricas suspensas das nuvens pelos contorcidos fios de suas fumaças; as pontes semelhantes a ginastas gigantes que transpõem as fumaças, cintilantes ao sol com um fulgor de facas; os navios a vapor aventurosos que farejam o horizonte, as locomotivas de amplo peito que se empertigam sobre os trilhos como enormes cavalos de aço refreados por tubos e o vôo deslizante dos aeroplanos, cujas hélices se agitam ao vento como bandeiras e parecem aplaudir como uma multidão entusiasta.

É da Itália que lançamos ao mundo este manifesto de violência arrebatadora e incendiária com o qual fundamos o nosso Futurismo, porque queremos libertar este país de sua fétida gangrena de professores, arqueólogos, cicerones e antiquários.
Há muito tempo a Itália vem sendo um mercado de belchiores. Queremos libertá-la dos incontáveis museus que a cobrem de cemitérios inumeráveis.
Museus: cemitérios!... Idênticos, realmente, pela sinistra promiscuidade de tantos corpos que não se conhecem. Museus: dormitórios públicos onde se repousa
sempre ao lado de seres odiados ou desconhecidos! Museus: absurdos dos matadouros dos pintores e escultores que se trucidam ferozmente a golpes de cores e linhas ao longo de suas paredes!
Que os visitemos em peregrinação uma vez por ano, como se visita o cemitério no dia dos mortos, tudo bem. Que uma vez por ano se desponta uma coroa de flores diante da Gioconda, vá lá. Mas não admitimos passear diariamente pelos museus nossas tristezas, nossa frágil coragem, nossa mórbida inquietude. Por que devemos nos envenenar? Por que devemos apodrecer? E que se pode ver num velho quadro senão a fatigante contorção do artista que se empenhou em infringir as insuperáveis barreiras erguidas contra o desejo de exprimir inteiramente o seu sonho?... Admirar um quadro antigo equivalente a verter a nossa sensibilidade numa urna funerária, em vez de projetá-la para longe, em violentos arremessos de criação e de ação.
Quereis, pois, desperdiçar todas as vossas melhores forças nessa eterna e inútil admiração do passado, da qual saís fatalmente exaustos, diminuídos e espezinhados?
Em verdade eu vos digo que a frequentação cotidiana dos museus, das bibliotecas e das academias (cemitérios de esforços vãos, calvários de sonhos crucificados, registros de lances truncados!...) é, para os artistas, tão ruinosa quanto a tutela prolongada dos pais para certos jovens embriagados por seu os prisioneiros, vá lá: o admirável passado é talvez um bálsamo para tantos os seus
males, já que para eles o futuro está barrado... Mas nós não queremos saber dele, do passado, nós, jovens e fortes futuristas!
Bem-vindos, pois, os alegres incendiários com seus dedos carbonizados! Ei-los!... Aqui!... Ponham fogo nas estantes das bibliotecas!... Desviem o curso dos canais para inundar os museus!... Oh, a alegria de ver flutuar à deriva, rasgadas e descoradas sobre as águas, as velhas telas gloriosas!... Empunhem as picaretas, os machados, os martelos e destruam sem piedade as cidades veneradas!

Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: resta-nos assim, pelo menos um decênio mais jovens e válidos que nós jogarão no cesto de papéis, como manuscritos inúteis. - Pois é isso que queremos!
Nossos sucessores virão de longe contra nós, de toda parte, dançando à cadência alada dos seus primeiros cantos, estendendo os dedos aduncos de predadores e farejando caninamente, às portas das academias, o bom cheiro das nossas mentes em putrefação, já prometidas às catacumbas das bibliotecas. Mas nós não estaremos lá... Por fim eles nos encontrarão - uma noite de inverno - em campo aberto, sob um triste galpão tamborilado por monótona chuva, e nos verão agachados junto aos nossos aeroplanos trepidantes, aquecendo as mãos ao fogo mesquinho proporcionado pelos nossos livros de hoje flamejando sob o vôo das nossas imagens.
Eles se amotinarão à nossa volta, ofegantes de angústia e despeito, e todos, exasperados pela nossa soberba, inestancável audácia, se precipitarão para matar-nos, impelidos por um ódio tanto mais mais implacável quanto seus corações estiverem ébrios de amor e admiração por nós.
A forte e sã Injustiça explodirá radiosa em seus olhos - A arte, de fato, não pode ser senão violência, crueldade e injustiça.
Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: no entanto, temos já esbanjado tesouros, mil tesouros de força, de amor, de audácia, de astúcia e de vontade rude, precipitadamente, delirantemente, sem calcular, sem jamais hesitar, sem jamais
repousar, até perder o fôlego... Olhai para nós! Ainda não estamos exaustos!
Nossos corações não sentem nenhuma fadiga, porque estão nutridos de fogo, de ódio e de velocidade!... Estais admirados? É lógico, pois não vos recordais sequer de ter vivido! Eretos sobre o pináculo do mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas!
Vós nos opondes objeções?... Basta! Basta! Já as conhecemos... Já entendemos!...
Nossa bela e mendaz inteligência nos afirma que somos o resultado e o prolongamento dos nossos ancestrais. - Talvez!... Seja!... Mas que importa? Não queremos entender!... Ai de quem nos repetir essas palavras infames!...
Cabeça erguida!...
Eretos sobre o pináculo do mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas."

(Teorias da Arte Moderna, H.B.Chipp, Martins Fontes, 1993)


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